Para o dia em que a preguiça apertar

Dia desses fiquei morrendo de preguiça de fazer um jantar muito elaborado para mim num dia de semana qualquer. Sim, eu que amo cozinhar e testar receitas diferentes e sofisticadas também tenho meus dias de preguiça e vontade de passar longe da cozinha. Entretanto, a ideia de pedir comida ou comer qualquer coisa também não me pareceu muito interessante.

Com isso, resolvi abrir a geladeira, o freezer e a despensa para ver o que tinha em casa. Com alguns ingredientes básicos e práticos consegui inventar uma gororoba que no final ficou absolutamente deliciosa. Minha intenção aqui é mostrar que você não precisa de muito refinamento para fazer uma refeição gostosa, nutritiva e ainda por cima saudável para o seu dia a dia. As vezes com apenas 20 minutinhos seu jantar pode transformar-se em algo especial.

Miojo de harussame com tilápia e vegetais

Miojo de harussame com tilápia e vegetais

70 g de harussame
1 filé de tilápia
100 g de brócolis congelado
100 g de edamame congelado
sal, pimenta, azeite e tempero “cinco especiarias” a gosto

Modo de preparo:
Tempere o filé de tilápia com o tempero chinês “cinco especiarias” a gosto. Leve para assar numa forma refratária antiaderente em forno pré-aquecido a 200˚C por 20 minutos ou até atingir o ponto desejado.
Enquanto o peixe cozinha, ferva 500 ml de água e tempere com sal a gosto. Assim que ferver, despeje o brócolis e o edamame congelados. Quando levantar fervura novamente, conte 3 minutos e desligue o fogo. Escorra a água e reserve os vegetais numa tigela.
Ferva mais 500 ml de água temperada com sal a gosto. Cozinhe o harussame por 7 minutos. Escorra e jogue água gelada por cima para dar um choque térmico na massa. Junte aos vegetais na tigela e reserve.
Quando o peixe estiver cozido, corte em pedaços médios com cuidado para não despedaçar completamente. Junte à tigela com os demais ingredientes. Misture tudo e tempere com azeite e pimenta do reino moída na hora a gosto. Saboreie com uma taça de vinho branco seco e um belo pedaço de chocolate 70% cacau de sobremesa.

Quando vi que tinha harussame (aquele macarrão transparente à base de broto de feijão) em casa, resolvi inspirar-me em toques orientais para criar meu jantar. Com isso, escolhi temperar a tilápia com o pozinho chinês “cinco especiarias” que comentei com vocês neste post.

Outro toque asiático que dei ao prato foi com a escolha dos vegetais. O edamame, feijão de soja verde, é muito utilizado na culinária japonesa e é rico em nutrientes e minerais indispensáveis para uma alimentação saudável. Talvez se eu quisesse ter completado minha “inspiração oriental” devesse ter optado por regar tudo com shoyu no final. Entretanto, não quis exagerar na quantidade de sódio utilizada e fiquei no azeite de oliva extra virgem mesmo. Um toque final super saboroso ao meu miojo caseiro e praticamente instantâneo. Ficou uma delícia.

Por hoje é só.

Bon appetit!

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Descobrindo novas delícias

No começo, quando ia a restaurantes tailandeses eu sempre comia a mesma coisa: ou me deliciava com o tradicional Pad Thai (prato típico de macarrão com um molho agridoce delicioso) ou ficava no frango em cubos com castanha de caju (cuja receita publiquei aqui). Mas desta vez, quando estava de férias nos Estados Unidos e almocei no meu restaurante tailandês preferido por lá resolvi me aventurar um pouco.

A surpresa foi fantástica. Descobri sopas maravilhosas que antes pensava terem combinações um pouco estranhas de ingredientes. A melhor parte é que estas sopas funcionam tão bem como entrada, acompanhamento ou prato principal, basta adequar o tamanho da porção à refeição indicada.

Sopa tailandesa de macarrão transparente

Sopa tailandesa de macarrão transparente

300 ml de água
15 g de shitake seco
1/2 pepino médio
1 dente de alho
40 g de harussame (macarrão transparente)
1 col. de sopa de shoyu light
1 col. de sobremesa de açúcar mascavo
100 g de repolho em fatias finas
150 g de tofu firme
coentro picado a gosto

Modo de preparo:
Deixe o shitake seco de molho em água quente (mas não fervendo) por pelo menos 30 minutos para hidratar. Enquanto isso, coloque o pepino cortado, o alho e o repolho fatiado num multiprocessador. Bata até formar uma mistura homogênea e quase lisa.
Despeje a mistura numa panela e acrescente os 300 ml de água fervendo. Cozinhe com uma leve fervura em fogo médio por 2 ou 3 minutos. Coe o líquido para outra panela e descarte os restos que sobrarem.
Levante mais uma vez uma leve fervura e adicione o shitake hidratado com metade do líquido no qual estava. Acrescente o harussame e o açúcar mascavo dissolvido no shoyu light. Deixe cozinhar por 5 minutos até o macarrão amolecer.
Prove o sal e se for preciso tempere com mais um pouco de shoyu. Corte o tofu em cubos médios e coloque numa tigela. Por cima, derrame o conteúdo da sopa e decore com folhas de coentro picadas a gosto. Sirva acompanhado de torradinhas integrais.

A primeira vista a sopa pode não parecer lá muito apetitosa, mas a combinação do pepino com o repolho como base do caldo acrescentados ao shitake tornaram o sabor mais interessante. Uma das vantagens desta sopa, alias, é justamente a suavidade de todos os sabores que, quando misturados, não perdem suas características individuais.

Se você não for muito fã de tofu, vale preparar este prato usando também pedaços pequenos de peixe cozido (como filé de tilápia ou linguado) ou até mesmo cubinhos de peito de frango. Entretanto, a suavidade do tofu faz com que o sabor da sopa não seja sobrecarregado de temperos forte demais. Para mim, a melhor parte continua sendo o gostinho único do harussame. Desde que descobri este macarrão transparente tipicamente oriental me apaixonei.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Descobrindo as semelhanças no diferente

Para os desatentos não há nada mais diferente do que um cardápio inspirado na culinária grega e outro na culinária vietnamita. Quando visto de relance realmente podemos dizer que os ingredientes e a maneira de preparo dos pratos são completamente diferentes.

Mas se observarmos com atenção podemos ver que na verdade os pratos são bem parecidos, ou pelo menos equivalentes. E é isso que me encanta quanto mais eu aprendo sobre a gastronomia mundial. Por mais opostos que dois pratos possam parecer, eles irão conter ingredientes relativamente homônimos. O toque final é que dá ao prato a inspiração de cada país diferente.

Salada de harussame vietnamita

Salada de harussame vietnamita

70 g de harussame (macarrão transparente)
120 g de melão verde
85 g de filé magro
1/2 de pepino médio
1 col. de sopa de coentro
1 col. de sopa de hortelã
1 talo de capim limão
suco de 2 limões
1 col. de sopa de molho de peixe tailandês
1 cm de gengibre fresco ralado
1 col. de chá de pimenta calabresa moída
1 col. de chá de açúcar mascavo

Modo de preparo:
Numa tigela, junte o molho de peixe, o suco dos limões, o gengibre ralado, o coentro, a hortelã e o capim limão picados e a pimenta calabresa. Acrescente o açúcar mascavo e mexa bem para dissolver completamente. Reserve.
Tempere o filé com sal e pimenta-do-reino a gosto e corte em pedaços pequenos. Aqueça uma grelha em temperatura média e grelhe o filé de 5 a 7 minutos até ficar pronto. Reserve.
Para preparar o macarrão, ferva 1 litro de água. Acrescente o harussame e deixe cozinhar por 7 minutos. Quando estiver pronto, coe e deixe escorrer água fria por cima do macarrão transparente. Isso ajuda a ele ficar na consistência perfeita. Reserve.
Por fim, corte o melão e o pepino em tiras fininhas. Para preparar o prato, arrume as tirinhas num prato. Arrume os pedaços de carne e o harussame por cima. Regue com o molho reservado e sirva frio.

Num primeiro momento não há nada mais diferente do que esta salada e a outra salada de macarrão grega que compartilhei alguns dias atrás. Entretanto, olhando com cuidado vemos que as duas contêm ingredientes equivalentes. Ambas tem uma fonte de carboidrato (os macarrões, mesmo diferentes, exercem a mesma função), ambas incluem uma fonte de proteína (sendo numa delas a carne e na outra o grão de bico) e ambas incluem vegetais.

Por mais que estes ingredientes já sejam um pouco diferentes, eles têm o mesmo efeito dentro dos pratos. A diferença, então, fica por conta dos molhos utilizados para temperar as saladas. E aí que está a característica típica de cada lugar, seja Grécia ou Vietnam.

Para mim esta é a melhor parte de aventurar-se pelas culinárias do mundo. Descobrir os temperos e toques diferentes de cada gastronomia e usá-los para criar pratos inspirados nesses países. Não há nada mais divertido.

Por hoje é só.

Bon appetit!