As deliciosas leguminosas

Para muitos brasileiros a ideia de não comer arroz e feijão diariamente no almoço parece loucura. Essa combinação, uma das mais saudáveis possíveis segundo inúmeros nutricionistas e médicos, já faz parte da rotina e tradição brasileira. Com isso, conseguimos ter em nossa alimentação a quantidade perfeita de leguminosas, tão essenciais para nossa saúde.

Entretanto, neste ponto eu não sou brasileira mesmo. Gosto do clássico arroz com feijão, mas confesso que não é dos meus pratos preferidos e certamente não está presente todos os dias na minha alimentação. Por isso, tive que encontrar outras maneiras de comer vegetais leguminosos e esta receita de hoje é a solução perfeita.

Ensopado de lentilha com edamame

Ensopado de lentilha com edamame

1/2 caixa de lentilha em conserva
100 g de edamame congelado
1/2 cebola roxa picada
1 dente de alho amassado
1/2 lata de tomate pelado
suco de 1 limão
azeite, salsinha, hortelã, cominho, canela, sal e pimenta calabresa a gosto

Modo de preparo:
Escorra a lentilha e passe por água corrente por alguns minutos para retirar o excesso de sal da conserva. Reserve numa tigela. Enquanto isso, ferva 300 ml de água e leve o edamame congelado para cozinhar assim que começar a ferver. Deixe por 2 minutos, escorra a água e passe por água gelada para parar o cozimento. Junte à lentilha reservada.
Aqueça uma panela antiaderente em fogo médio e regue com um fio de azeite. Refogue a cebola picada e o alho amassado até ficarem aromáticos. Junte 1/2 lata de tomate pelado junto com o caldo e mexa bem para quebrar todos os pedaços de tomate que tiver. Deixe ferver, abaixe o fogo e acrescente a lentilha e o edamame reservado. Tempere com salsinha, hortelã, cominho, canela, sal e pimenta calabresa a gosto para que fique saboroso. Cozinhe mantendo uma leve fervura por mais 2 ou 3 minutos. Sirva com torradinhas integrais.

Na receita original havia sugestões de quantidades de cada tempero para acrescentar na hora do preparo. Entretanto, prefiro deixar “a gosto” pois entendo que cada pessoa tem paladares diferentes. E certamente a melhor parte de cozinhar é conseguir adequar a receita ao nosso gosto pessoal.

Entretanto, vale ir provando à medida que são adicionados os temperos. No meu caso, coloquei 1 col. de sopa cada de salsinha e hortelã picadas e 1 col. de chá de cominho e canela em pó. O sal e a pimenta calabresa foi de olho. No fim a combinação de temperos trouxe uma delicadeza e complexidade deliciosa ao prato. Não deixa de ser uma refeição perfeita para uma noite fresca de outono.

Por hoje é só.

Bon appetit!

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Tentando de novo

Estou sempre em busca de novidades para testar na cozinha. As vezes não procuro um prato em si ou uma receita completa e sofisticada. Em muitas ocasiões apenas molhos diferentes já trazem um toque especial e inovador ao almoço diário e conseguem transformar uma simples refeição em algo espetacular.

Desde que vi uma primeira receita de molho de hortelã encasquetei em testá-la e conseguir reproduzir aquilo que pensava seria uma experiência gastronômica divina. Como compartilhei aqui no comecinho do blog, minha primeira tentativa não foi lá muito bem sucedida. Dia desses, então, resolvi testar outra opção de molho de hortelã, bem diferente daquele.

Filé grelhado ao molho de hortelã

Filé grelhado ao molho de hortelã

1 pedaço médio de filé magro
1 fatia de pão integral
2 maços de hortelã fresco
2 col. de sobremesa de azeite
1 col. de sobremesa de vinagre de vinho branco
40 ml de água
1 dente de alho picado
sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
Rasgue a fatia de pão e coloque num multiprocessador. Acrescente as folhas de hortelã, o azeite, o vinagre e o alho. Triture até ficar homogêneo. Coloque a água aos poucos até atingir a consistência desejada. Reserve.
Tempere o filé com sal e pimenta a gosto. Aqueça uma grelha elétrica em temperatura alta e grelhe o filé por aproximadamente 5 minutos (ou até o ponto desejado). Sirva com o molho regado por cima.

Certamente este molho de hortelã ficou bem mais saboroso do que o primeiro que tentei fazer. Uma das razões é bem simples e diz respeito mais às minhas habilidades como cozinheira do que às receitas em si. Desta vez não exagerei na quantidade de hortelã acrescentada à receita o que fez com que o sabor ficasse bem mais delicado e gostoso.

Entretanto, continuo achando que deve existir uma receita melhor de molho de hortelã por aí. Esta que preparei para este preto ficou um pouco massenta demais, culpa talvez de uma quantidade muito grande de pão indicada nos ingredientes. Dito tudo isso, o sabor não ficou de todo ruim. Alias, deu para apreciar bastante esta minha nova aventura. Quem sabe você não consegue melhorar ainda mais o molho com seu toque pessoal? Aproveite para compartilhar suas dicas também nos comentários.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Descobrindo as semelhanças no diferente

Para os desatentos não há nada mais diferente do que um cardápio inspirado na culinária grega e outro na culinária vietnamita. Quando visto de relance realmente podemos dizer que os ingredientes e a maneira de preparo dos pratos são completamente diferentes.

Mas se observarmos com atenção podemos ver que na verdade os pratos são bem parecidos, ou pelo menos equivalentes. E é isso que me encanta quanto mais eu aprendo sobre a gastronomia mundial. Por mais opostos que dois pratos possam parecer, eles irão conter ingredientes relativamente homônimos. O toque final é que dá ao prato a inspiração de cada país diferente.

Salada de harussame vietnamita

Salada de harussame vietnamita

70 g de harussame (macarrão transparente)
120 g de melão verde
85 g de filé magro
1/2 de pepino médio
1 col. de sopa de coentro
1 col. de sopa de hortelã
1 talo de capim limão
suco de 2 limões
1 col. de sopa de molho de peixe tailandês
1 cm de gengibre fresco ralado
1 col. de chá de pimenta calabresa moída
1 col. de chá de açúcar mascavo

Modo de preparo:
Numa tigela, junte o molho de peixe, o suco dos limões, o gengibre ralado, o coentro, a hortelã e o capim limão picados e a pimenta calabresa. Acrescente o açúcar mascavo e mexa bem para dissolver completamente. Reserve.
Tempere o filé com sal e pimenta-do-reino a gosto e corte em pedaços pequenos. Aqueça uma grelha em temperatura média e grelhe o filé de 5 a 7 minutos até ficar pronto. Reserve.
Para preparar o macarrão, ferva 1 litro de água. Acrescente o harussame e deixe cozinhar por 7 minutos. Quando estiver pronto, coe e deixe escorrer água fria por cima do macarrão transparente. Isso ajuda a ele ficar na consistência perfeita. Reserve.
Por fim, corte o melão e o pepino em tiras fininhas. Para preparar o prato, arrume as tirinhas num prato. Arrume os pedaços de carne e o harussame por cima. Regue com o molho reservado e sirva frio.

Num primeiro momento não há nada mais diferente do que esta salada e a outra salada de macarrão grega que compartilhei alguns dias atrás. Entretanto, olhando com cuidado vemos que as duas contêm ingredientes equivalentes. Ambas tem uma fonte de carboidrato (os macarrões, mesmo diferentes, exercem a mesma função), ambas incluem uma fonte de proteína (sendo numa delas a carne e na outra o grão de bico) e ambas incluem vegetais.

Por mais que estes ingredientes já sejam um pouco diferentes, eles têm o mesmo efeito dentro dos pratos. A diferença, então, fica por conta dos molhos utilizados para temperar as saladas. E aí que está a característica típica de cada lugar, seja Grécia ou Vietnam.

Para mim esta é a melhor parte de aventurar-se pelas culinárias do mundo. Descobrir os temperos e toques diferentes de cada gastronomia e usá-los para criar pratos inspirados nesses países. Não há nada mais divertido.

Por hoje é só.

Bon appetit!

A emoção da primeira vez

Confesso que algum tempo atrás tinha certa resistência em comer coisas cruas. Entretanto, depois que aprendi a comer sushi e me apaixonei perdidamente as coisas começaram a fluir naturalmente. O próximo passo lógico seria evoluir do quibe assado (que eu já adorava) para o quibe cru. Foi amor à primeira garfada.

A partir desse ponto não demorou muito eu já queria experimentar meus dotes culinários e preparar essa delícia em casa. E convenhamos, os bons restaurantes árabes que oferecem esse prato geralmente cobram caro por ele. Ou seja, nada melhor do que aprender para fazer em casa mesmo. E digo com absoluta convicção que ficou igualzinho ao dos restaurantes: sensacional!

Quibe cru

Quibe cru

150 g de filé mignon moído (ou outra carne magra de sua preferência)
60 g de trigo para quibe
2 col. de sopa de hortelã fresca picada
1/2 cebola picada
3 col. de sopa de cebolinha picada
1 limão tahiti
sal e pimenta-do-reino a gosto
folhas de hortelã para decorar

Modo de preparo:
Coloque o trigo para quibe numa tigela e cubra com água em temperatura ambiente. Deixe de molho durante duas horas. Depois, coe o trigo e esprema bem com as mãos para sair toda a água.
Em outra tigela, tempere a carne moída com sal e pimenta a gosto. Acrescente o trigo, a hortelã e metade da cebola picada. Misture bem com as mãos até ficar completamente homogêneo. Leve à geladeira por 30 minutos. Na hora de servir, arrume no prato com o restante da cebola picada, a cebolinha picada e decore com as folhas de hortelã. Regue com o suco de limão a gosto.

Enquanto procurava receitas de como fazer quibe achei algumas com detalhes diferentes. Por exemplo, alguns lugares falavam da necessidade de deixar o trigo de molho para depois espremê-lo antes de usar. Já outros diziam que esse passo era desnecessário e apenas falavam em lavar bem o trigo usando de 5 a 10 águas diferentes.

Como já tinha ouvido falar que era necessário deixar o trigo de molho, resolvi seguir a receita que falava para fazer isso. Deu super certo e ficou uma delícia. Não sei se fazendo do outro jeito também funciona, talvez valha a pena testar para saber. De qualquer maneira, nada melhor do que um receita simples e prática como esta para preparar num dia corrido das férias.

Por hoje é só.

Bon appetit!

É tempo de viajar…

É tempo de férias e, como ninguém é de ferro, também vou tirar alguns dias para viajar e esquecer um pouco da vida. Por isso, vou me ausentar do blog  por um tempinho. Prometo que é só por alguns dias! Mas como sou super legal, deixei algumas receitas prontas de ante mão para que vocês não sintam tanto a minha falta.

Durante as próximas duas semanas em vez de ter post novo todo dia vai ser um a cada dois dias. Como sempre são receitas que achei em algum canto e fiz em casa para testar. A ideia não muda, só a periodicidade das atualizações. De qualquer maneira, segunda-feira dia 2 de janeiro já estarei de volta com novos posts diários. Combinado?

Dando início à sessão de “posts das férias” resolvi testar uma receita super refrescante que dá para saborear nas férias de verão. Nada melhor do que comer um peixe levezinho com molho geladinho num dia quente de verão não é mesmo. A melhor parte é que não demora nada para fazer e fica uma delícia. Experimente prová-lo a beira da praia, vai ser amor a primeira garfada.

Cação ao molho de pepino e iogurte

Cação ao molho de pepino e iogurte

1 posta média de cação (120 g)
1/2 pote de iogurte natural desnatado
100 g de pepino
suco de 1/2 limão tahiti
1 col. de sobremesa de hortelã picada
1 col. de sobremesa de raspas de limão
sal, pimenta-do-reino e cominho em pó a gosto

Modo de preparo:
Tempere o cação com sal a gosto e asse numa forma refratária antiaderente em forno médio (200ºC) por 12 minutos.
Para o molho, descasque o pepino e corte em cubinhos descartando a polpa central que contem as sementes. Misture numa tigela o pepino cortado com o iogurte, o suco de limão e a hortelã. Acrescente as raspas de limão e tempere com sal, pimenta e cominho em pó a gosto. Misture bem e leve à geladeira por 30 minutos antes de usar. Na hora de servir, regue o peixe quente com o molho gelado.

Este molho é tradicionalmente utilizado na culinária indiana. Conhecida pelos seus pratos super condimentados e apimentados, o molho de pepino com iogurte ajuda a quebrar a intensidade de sabores tão característicos da comida apreciada na Índia.

De qualquer maneira, o molho cai super bem como acompanhamento para qualquer peixe ou filé de frango grelhado ou assado. Vale também saboreá-lo por cima de saladas ou legumes cozidos no vapor. Por ser ultra leve e refrescante não vai deixar aquela sensação pesada depois do almoço, ótimo para quem ainda quiser aproveitar o sol da tarde à beira da piscina.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Rapidez e elegância

Não é querendo me gabar nem nada (até porque não fui eu que inventei a receita, peguei de um dos meus livros de culinária saudável) mas o prato que acabei de preparar ficou absolutamente SENSACIONAL! Com maiúscula!

Simples, fácil, rápido e altamente saboroso, é a minha dica de hoje para incrementar o que para muitos é uma dieta sem graça. (Sim, já ouvi inúmeras pessoas dizendo que é impossível manter uma alimentação balanceada e saudável com pratos saborosos. É aquela velha história de acharem que temos que comer peito de frango grelhado pro resto da vida.)

A princípio achei que seria difícil preparar esta receita. Na verdade, achar todos os ingredientes foi mais complicado do que executá-la. No total, gastei 30 minutos entre começar os preparativos e sentar para comer. Ou seja, se você quer uma receita deliciosa, com pinta de gourmet, para impressionar convidados no jantar, mas não vai ter muito tempo para preparar, aqui está a solução.

Filé de peixe com batata e cebolas Charlotte no vapor

Filé de peixe com batata e cebolas Charlotte no vapor

100 g de filé de linguado (ou outro peixe a sua escolha)
50 g de batata bolinha
100 g de cebola charlotte ou pérola
50 ml de vinagre balsâmico
Sal, pimenta-do-reino, folhas de hortelã, tomilho e orégano a gosto

Modo de preparo:
Tempere o filé de peixe com sal, pimenta e orégano a gosto. Regue o vinagre balsâmico por cima e deixar marinar por 15 minutos.
Em uma panela de vapor, ferva 500 ml de água com as folhas de hortelã e o tomilho. Quando estiver fervendo, posicione as batatas e as cebolas descascadas deixando espaço para que o vapor circule entre elas. Tampe a panela e deixe cozinhar por 12 minutos.
Acrescente o peixe e cozinhe tampado por mais 10 minutos. Por fim, no momento de servir, aqueça a marinada e regue os filés, as cebolas e as batatas.

Na receita original a sugestão era fazer com atum. Entretanto, não consegui encontrar atum fresco no mercado e acabei comprando filé de linguado mesmo. Ficou uma delícia! Tudo porque a combinação entre o vinagre balsâmico e o aroma do hortelã resultou em algo que jamais tinha experimentado. Simplesmente divino.

De qualquer maneira, tenho certeza que qualquer peixe cairia bem com esta receita, inclusive (se não, especialmente) peixes com sabor mais encorpado como o atum e o salmão. Se você conseguir encontrar atum fresco, sugiro fazer com ele mesmo. Aproveite e me conte como ficou.

A minha maior dificuldade mesmo foi encontrar as batatas e as cebolas pequenas. O truque desta receita é que ela utiliza cebola charlotte ou pérola, aquela versão menor da tradicional que tem um gosto levemente adocicado. Faz toda a diferença. Por ser mais suave do que a maior, a cebola pérola cai muito bem como acompanhamento de qualquer preparação de peixes, aves ou carnes. Vale a pena procurar para encontrar a versão in natura. Uma dica: evite comprar as que vêm em conserva já que tiveram seu gosto modificado por causa do salmoura.

Já falei mas acho que vale a pena repetir: este prato ficou sensacional! Estou me segurando para não prepará-lo amanhã de novo se não não terei receitas novas para compartilhar com vocês. Mas é certeza que vou repetir a dose muito em breve.

Por hoje é só.

Bon appetit!