Deixando a inspiração fluir

Tem algum tempinho já que estou tendo dificuldade de encontrar novas receitas para testar. Como sempre procuro variar ao máximo os pratos para ter novidades para postar aqui para vocês, tem sido difícil unir o útil ao agradável encontrando variedades de receitas que sejam leves, saudáveis, me apeteçam e sejam também diferentes das demais.

Mas como já tenho vários meses nessa viagem gastronômica na cozinha, acabo conseguindo ter alguma experiência em fazer pratos da minha cabeça. A receita de hoje não vi em nenhum lugar especificamente. Apenas usei inspirações de outras receitas que já tinha feito para criar esta. E não é que ficou uma delícia?

Tilápia no papelote com aspargo ao missô

Tilápia no papelote com aspargo ao missô

1 filé de tilápia
150 g de aspargo fresco
1 limão siciliano
1 col. de sopa de missô
1 col. de chá de azeite
pimenta a gosto

Modo de preparo:
Pré-aqueça o forno em 200˚C. Lave bem o aspargo e corte em talos médios. Tempere o peixe com pimenta a gosto e reserve. Numa tigela, junte o suco de 1/2 limão siciliano, o missô e o azeite. Misture bem até formar uma pasta homogênea. Junte os talos de aspargo e misture bem para que fique tudo coberto com o molho.
Arrume duas folhas de papel alumínio por cima de uma forma refratária. Corte a outra metade do limão em rodelas e posicione no centro das folhas de alumínio. Coloque o filé de peixe por cima das rodelas de limão e arrume o aspargo envolta. Regue tudo com o restante do molho de missô.
Feche o papel alumínio formando um papelote. Leve para assar no forno pré-aquecido por 20 minutos. Retire do forno, deixe descansar por 3 minutos e abra o papelote com cuidado para sair o vapor. Descarte as rodelas de limão e sirva tudo regado com o molho que formou dentro do papelote. Acompanhe com arroz integral ou selvagem.

Claro que aproveitei para usar ingredientes que já tinha em casa. Acho a tilápia um peixe super coringa. Como ele pode ser comprado congelado em porções individuais, é a opção perfeita para quem mora sozinho e não quer fazer comida em grandes quantidades para não sobrar muito.

Além da praticidade de ser comprada individualmente, a tilápia tem um sabor super suave. Com isso, ela pode ser combinada com qualquer tipo de molho, o que também ajuda na hora de criar combinações diferentes e saborosas. Desta vez, aproveitei para fazer uma combinação com inspirações orientais. Quem sabe da próxima não vá por outro caminho?

Por hoje é só.

Bon appetit!

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Mil e uma utilidades

Com certeza você já ouviu falar na importância de incluirmos o ômega-3 na nossa alimentação. Esta gordura, ou ácido graxo poliinsaturado, está associada à diminuição dos níveis de colesterol ruim no sangue além do aumento do colesterol bom. Tudo isso é fundamental para mantermos a saúde do corpo e protegermos nosso coração de infartos.

Os peixes gordos, como o salmão, o atum e a sardinha, são uma das principais fontes de ômega-3 na natureza. Entretanto, ficar só no filé de salmão grelhado, que além de caro pode enjoar fácil, ou no atum e na sardinha enlatados cansa muito rápido. Uma opção é investir em filés de atum fresco que são deliciosos se feitos corretamente.

Atum grelhado ao curry tailandês

Atum grelhado ao curry tailandês

1 posta média de atum fresco (+/- 150 g)
1 col. de chá de pasta de curry tailandês vermelho
1 col. de sobremesa de azeite

Modo de preparo:
Aqueça uma grelha elétrica em temperatura alta.
Numa tigela, misture a pasta de curry com o azeite até formar um molho viscoso. Espalhe por todo o filé de atum e deixe marinando na geladeira de 15 a 30 minutos para pegar bem o gosto.
Abaixe a temperatura da grelha para médio-alto e grelhe o atum por 3 minutos de cada lado (ou 5 minutos caso a grelha seja tampada). Sirva com arroz integral e legumes grelhados.

Fiquei encantada com a simplicidade desta receita e a complexidade de sabores que ela traz. Também achei incrível descobrir outras utilidades para a pasta de curry tailandês que geralmente usava apenas para fazer os tradicionais pratos do país (como o delicioso curry de camarão que publiquei aqui no blog).

Você pode ter estranhado o pouquíssimo tempo que o atum fica cozinhando na grelha. Realmente, o peixe não chega a assar por inteiro, apenas sela por fora mantendo o carne levemente rosada por fora. Com isso, mantêm-se a umidade do peixe e o sabor incrível que ele possui. Se fossemos assar completamente o atum, ele ficaria igualzinho ao que encontramos enlatado, ou seja, seco e sem graça.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Combinações saborosas

Por mais que tenhamos alguns pratos que são favoritos e clássicos, é sempre divertido acrescentar elementos diferentes para dar aquele toque a mais. Sou apaixonada por comida tailandesa, mas também tenho meus dias em que prefiro algo mais simples como uma básica carne moída refogada. Quando achei esta receita que juntava o útil ao agradável tive que experimentar.

O prato consegue unir a facilidade de uma simples carne moída refogada com a constelação de sabores exóticos e deliciosos da clássica culinária tailandesa. No fundo, a receita fica super parecida com outras que já publiquei aqui, como a de curry de camarão e a de tilápia com legumes no vapor. Mas neste caso a carne moída traz um quê de diferente e delicioso ao prato final.

Carne moída à tailandesa

Carne moída à tailandesa

120 g de coxão mole moído
1 dente de alho
1 col. de sopa de cebola picada
1 col. de chá de pasta de curry tailandês vermelho
60 g de molho de tomate
15 ml de leite de coco light
1 col. de chá de açúcar mascavo
suco de 1/2 limão
1 col. de chá de molho de peixe tailandês
coentro a gosto

Modo de preparo:
Aqueça uma panela antiaderente em fogo médio e regue com um fio de azeite. Refogue o alho picado e a cebola picada até ficarem macios e aromáticos. Acrescente a carne moída e refogue por alguns minutos até começar a dourar.
Despeje a pasta de curry tailandês vermelho e o molho de tomate e mexa bem para incorporar os temperos. Cozinhe por dois ou três minutos até reduzir bem o molho. Em seguida junte o leite de coco, o açúcar mascado, o suco e limão e o molho de peixe. Misture tudo e cozinhe por mais alguns minutos até o caldo engrossar um pouco. Sirva com arroz jasmim e salpicado com coentro a gosto.

Uma das peculiaridades da culinária tailandesa é que as receitas não começam da mesma forma que outras tradicionais com as quais estamos acostumados. Aquele primeiro passo que sempre inicia as receitas de temperar a carne com sal e pimenta é totalmente desnecessário na cozinha da Tailândia.

O motivo disso é a quantidade de tempero que é acrescentado no decorrer da receita. Todos os sabores são contemplados, o salgado, o doce, o azedo e o picante e o fato de ir adicionando aos poucos enquanto o prato é preparado faz com que a comida adquira um gosto mais que especial. Esta receita ficou divina e nos leva numa viagem gastronômica peculiar e deliciosa.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Os truques que fazem a diferença

Não faz muito tempo descobri as maravilhas do camarão. Minha resistência a estes animaizinhos no passado era o medo de ter alguma reação alérgica quando saboreasse um prato à base deles. Como não fazia questão de provar e tinha esse receio, acabei passando anos dispensando qualquer comida que fosse feita com camarão.

Mas nessa nova onda de experimentar todo o tipo de comida possível e imaginável para descobrir novos sabores e sensações, resolvi arriscar e dar mais uma chance aos pequeninos dos mares. Não aconteceu nada, achei maravilhoso e agora me vejo procurando receitas especificamente feitas para camarão. É o caso desta de hoje que, modéstia à parte, foi uma das melhores que já preparei na vida.

Curry vermelho tailandês de camarão

Curry vermelho tailandês de camarão

130 g de camarão cozido, descascado e congelado
1/2 cebola pequena picada
1 col. de chá de molho de peixe tailandês
1 col. de sopa de pasta de curry vermelha tailandesa
60 ml leite de coco light
1 col. de chá de mel
1 col. de sopa de cebolinha picada
1 col. de chá de azeite

Modo de preparo:
Aqueça uma panela antiaderente em fogo médio. Regue com um fio de azeite e refogue a pasta de curry até começar a soltar os aromas. Acrescente a cebola picada e mexa bem para cobrir com o tempero. Refogue por alguns minutos até ficar macia. Nesse meio tempo, despeje bem pouquinho do leite de coco na panela para amaciar a pasta de curry e evitar ela que queime.
Acrescente o mel e o molho de peixe. Mexa bem para incorporar os sabores. Por fim, coloque o camarão já descongelado e o resto do leite de coco. Deixe levantar uma leve fervura e mexa bem para que tudo fique coberto com o molho. Cozinhe de 2 a 3 minutos para que o camarão aqueça por completo. Sirva com couscous marroquino ou arroz jasmin para sugar todo o molho delicioso e salpique a cebolinha picada por cima.

Antes quando fazia currys tailandeses colocava tudo junto de uma vez só na panela e mexia até ficar pronto. Não ficava ruim, mas sentia que não era igual aos que comia nos restaurantes. Depois que fiz um curso de culinária tailandesa descobri a importância de acrescentar os ingredientes na ordem certa e dar tempo para a pasta de curry soltar os aromas na refogada inicial.

Quando fiz este curry de camarão já tinha participado da aula de comida tailandesa e preparei seguindo as dicas da professora. O resultado não foi simplesmente melhor, foi absurdamente melhor. O sabor ficou de outro mundo e o casamento entre o picante do curry, o salgado do molho de peixe e o doce do mel beirou a perfeição. Desta vez sinto que achei a receita perfeita.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Os quatro elementos do sabor

Esses dias aproveitei uma noite livre e fui fazer um curso de cozinha tailandesa numa escola de culinária aqui de São Paulo. Além de saborear delícias dessa comida milenar, pude ver pessoalmente alguns truques básicos que transformam todo prato tailandês numa experiência gastronômica fantástica.

Segredos e detalhes das receitas à parte, uma das coisas mais interessantes que descobri nessa aula foi a importância que os quatro sabores exercem na culinária tailandesa. Segundo a professora e chef que estava ministrando o curso, todos os pratos incluem ingredientes para ressaltar o picante, o salgado, o doce e o azedo. A ordem de importância dos quatro e a quantidade usada na receita indica a ordem na qual devemos senti-los ao provar o prato.

Curry de salmão com berinjela

Curry de salmão com berinjela

1 lata de filé de salmão em água
1 col. de sobremesa de azeite
1 col. de sopa cheia de pasta de curry tailandesa vermelha
1 dente de alho
1/2 berinjela média cortada em cubos
100 g de vagem macarrão cortada em pedaços
60 ml de leite de coco light
1 col. de chá de açúcar mascavo
1 col. de chá de molho de peixe
suco de 1/2 limão

Modo de preparo:
Aqueça uma panela antiaderente em fogo médio e regue com o azeite. Acrescente a pasta de curry e o alho picado e refogue por 1 ou 2 minutos para soltar os temperos até sentir o aroma da pasta. Coloque os pedaços da berinjela e da vagem e mexa bem até que fique tudo coberto com a pasta.
Adicione o leite de coco aos poucos e mexa bem para misturar os ingredientes. Por fim coloque o açúcar, o molho de peixe e o limão e deixe ferver. Abaixe o fogo e cozinhe de 5 a 7 minutos mantendo uma leve fervura até que os vegetais fiquem macios e crocantes e o molho reduza e engrosse um pouco.
Desligue o fogo, mexa bem e acrescente o filé de salmão em pedaços. Sirva por cima de arroz integral ou arroz jasmim.

Este curry, como a grande maioria deles, foca no picante e inclui o doce, salgado e azedo apenas como toques refrescantes sentidos no fundo. De certa forma, os quatro sabores ficam brigando entre si para saber qual será o vencedor e, neste caso, o picante acaba ganhando com uma pequena margem.

O bom de receitas como esta é que podemos adaptá-las um pouco ao nosso gosto. Se você não é muito chegado num prato picante demais pode diminuir a quantidade de pasta de curry usada. Dessa forma a briga entre os quatro sabores ficará ainda mais intensa e poderá ser percebida com maior felicidade. Incrível, não?

Por hoje é só.

Bon appetit!

Explosão de sabores

O misso, pasta feita a base de soja, é tipicamente associado à culinária oriental e tem a capacidade de incrementar inúmeras receitas. Entretanto, nem sempre ela precisa especificamente fazer parte de uma receita tradicionalmente japonesa ou chinesa. Apenas o fato de acrescentá-la a uma preparação já consegue proporcionar um toque divinamente oriental a qualquer receita mundana.

Acho improvável a receita que trago hoje ser “oficialmente” japonesa. Mas uma marinada preparada à base de misso transformou um simples e cotidiano medalhão de filé mignon numa experiência gastronômica internacionalmente deliciosa. Tão simples, este prato me transportou ao redor do mundo numa combinação de sabores espetaculares.

Filé mignon marinado no misso

Filé mignon marinado no misso

1 medalhão de filé mignon médio
1 col. de sopa de misso
1 col. de sopa de mostarda escura ou picante
1 col. de sopa de cebolinha picada
1/2 col. de sopa de mel
1/2 col. de sopa de vinagre de arroz
1/2 col. de sopa de shoyu light

Modo de preparo:
Junte todos os ingredientes numa sacolinha plástica. Misture bem e acrescente o filé. Deixe marinando na geladeira por pelo menos 30 minutos ou até 2 horas.
Aqueça o forno a 200˚C e leve o filé para assar com um pouco da marinada por 20 minutos ou até atingir o ponto desejado. Sirva com arroz integral e legumes cozidos no vapor.

Por já incluir a pasta de misso e o shoyu light, ambos bastante salgados, na marinada não há nenhuma necessidade de temperar a carne com sal anteriormente. Um dica importante é tirar o filé da geladeira pelo menos 20 minutos antes de colocar para assar. Desta forma, ele volta à temperatura ambiente e consegue assar de maneira uniforme no forno.

A combinação dos sabores doce, salgado, picante e azedo presentes na marinada dão um toque fantástico e delicioso ao filé. Com isso, vemos que uma simples marinada de algumas horas tem a capacidade de transformar um singelo pedaço de carne numa viagem gastronômica sensacional. Experimente.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Misturas práticas

De volta à rotina, segunda-feira é dia de preparar algo mais leve para compensar a comilança do final de semana. Neste caso, o estrago com certeza foi ainda maior já que ontem era o dia internacional de se atracar no chocolate. Espero que tenham se contido um pouco, né? Até porque mesmo coisas boas em quantidades absurdas nunca fazem bem para nossa saúde.

E já que os últimos três dias também com certeza foram intensos na cozinha, que tal preparar algo simples e que suje pouca coisa para lavar depois? Refeições de um prato só são uma ótima pedida para estes casos e esta em especial ficou tão saborosa que tenho certeza todos vão aprovar na primeira garfada.

Cubos de frango ao misso com arroz preto

Cubos de frango ao misso com arroz preto

1 peito de frango médio
1 col. de sopa de misso (pasta de soja)
1 dente de alho
1 col. de sobremesa de gengibre em pó
1/2 cebola pequena picada
1 col. de chá de molho de peixe tailandês
3 col. de sopa cheias de arroz preto já pronto
100 g de shitake fresco fatiado
1 col. de sopa de cebolinha picada
100 g de espinafre fatiado
2 claras
salsinha e shoyu a gosto

Modo de preparo:
Numa tigela, misture o misso com o dente de alho amassado e o gengibre em pó. Passe toda a mistura em volta do frango para que fique bem coberto. Enrole o peito de frango com papel filme com força até ficar bem fechado e apertado. Cozinhe numa panela à vapor durante 20 minutos certificando-se de que a água na parte de baixo não esteja tocando a panela de cima. Reserve o frango e o molho que se formou dentro do plástico.
Aqueça uma panela wok e despeje o molho de peixe, a cebola, o espinafre e o shitake. Mexa até começar a murchar. Junte o frango cozido cortado em pedaços e o molho reservado que se formou dentro do papel filme do cozimento do frango. Mexa até ficar quase pronto. Por fim junte o arroz já cozido, a cebolinha, as 2 claras e o shoyu a gosto. Mexa até que as claras estejam cozidas. Salpique salsinha a gosto e sirva a seguir.

Na receita original a sugestão era fazer com arroz integral tradicional. Entretanto, como já tinha arroz preto feito em casa resolvi usar os restos para não ter que me preocupar em fazer mais isso para o almoço. Da mesma forma, você pode aproveitar o arroz que tiver pronto em casa que sobrou do almoço de ontem. Facilita bastante a vida.

Caso queira preparar algum arroz novo para fazer esta receita, o integral é mesmo a melhor opção. No meu caso, como utilizei o arroz preto ele acabou manchando todo o prato com sua cor característica. O sabor ficou delicioso, mas confesso que a aparência meio “suja” pode ter deixado o prato menos apetitoso. Mas é apenas impressão, viu? Garanto que no fim ficou uma delícia!

Por hoje é só.

Bon appetit!