Quando a preguiça bate na porta

Tem dias que a preguiça toma conta como nunca. Quando isso acontece, fico sem vontade de ligar até o forno, quanto mais pensar em algo elaborado ou complexo para fazer para o jantar. Para noites assim, nada melhor do que ter na geladeira alguns ovos e outros ingredientes rápidos para fazer aquela omelete esperta.

Gosto de criar recheios para omeletes na hora que vou fazê-las. O mais divertido é abrir a despensa ou a geladeira e juntar aquilo que já tenho em casa em combinações inusitadas. Nada de ter que pensar com antecedência no que vou precisar comprar para fazer minha janta. Foi assim que surgiu este prato. Aproveitei para terminar com um vidro de pimentão em conserva que tinha na geladeira e usar o resto do shitake que não tinha terminado do dia anterior. Ficou uma delícia.

Omelete de shitake e pimentão vermelho em conserva

Omelete de shitake e pimentão vermelho em conserva

1 ovo
2 claras
100 g de shitake fresco
1 col. de sopa de cebolinha picada
1 un. de pimentão vermelho em conserva
azeite, manjericão, sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
Quebre o ovo e derrame numa tigela. Acrescente as claras e bata levemente com um garfo até ficar homogêneo. Tempere com sal e pimenta do reino a gosto. Pique o pimentão vermelho e o shitake e reserve.
Aqueça uma frigideira antiaderente em fogo médio e regue com um fio de azeite. Refogue o shitake até murchar e reserve num prato. Despeje a mistura de ovos na frigideira e mexa delicadamente para cobrir toda a superfície. Quando começar a firmar, mexa com uma espátula e acrescente o shitake refogado e o pimentão picado.
Sirva por cima de torradas e salpique com a cebolinha e o manjericão a gosto.

Chamo de omelete o que na verdade chega a ser mais um ovo mexido. O motivo: já tentei fazer aquelas omeletes lindas e perfeitamente dobradas ao meio mas sempre dá errado. Os ovos acabam quebrando quando tento virá-los e termino fazendo um grande mexidão mesmo.

No fim, seja em forma de omelete ou em forma de ovos mexidos, este prato é uma ótima opção para esses dias preguiçosos. Nada como ter um delicioso jantar na mesa em menos de 10 minutos sem muita louça para lavar no final. Depois ainda dá para curtir a preguiça vendo aquele filme gostoso e bebendo uma bela taça de vinho. Pitoresco, não?

Por hoje é só.

Bon appetit!

Uma complexidade de sabores

Já publiquei aqui no blog diversas receitas super gostosas e nutritivas feitas com cevadinha, esse grão integral tão maravilhoso e indispensável para quem deseja ter uma alimentação saudável. Uma das minha preferidas é a sopa de cevadinha com carne, absolutamente deliciosa e perfeita para essas noites frias de inverno.

A receita de hoje é parecida com outra que também já publiquei aqui mas tem um toque diferente. Ao invés de servir como uma espécie de risoto, como é o caso desta outra receita, a de hoje transforma-se numa deliciosa salada diferente. Aproveite um dia mais calmo para brincar e testar novos sabores na cozinha. Assim aprendemos e descobrimos coisas maravilhosas.

Salada de cevadinha tostada com vagem e shitake

Salada de cevadinha tostada com vagem e shitake

45 g de cevadinha
400 ml de água
100 g de shitake
100 g de vagem
5 ml de óleo de gergelim torrado
5 ml de shoyu
1 sache de mel
1 dente de alho
1 col. de sopa de cebolinha
gengibre a gosto

Modo de preparo:
Aqueça uma panela antiaderente e regue com o óleo de gergelim torrado. Toste a cevadinha, mexendo sempre, por alguns minutos até que fique aromática. Despeje os 400 ml de água fervente, abaixe o fogo e cozinhe mantendo uma leve fervura por 40 a 50 minutos ou até que a cevadinha fique macia.
Enquanto isso, ferva mais 300 ml de água e cozinhe a vagem por 3 a 5 minutos até que fique al dente. Escorra e coloque a vagem numa bacia com água e gelo para parar o cozimento. Reserve.
Aqueça uma frigideira antiaderente em fogo médio e refogue o shitake fatiado até começar a murchar. Acrescente a cevadinha já cozida e escorrida e a vagem. Mexa bem para incorporar todos os ingredientes e aquecer levemente.
Numa tigela, misture o shoyu com o mel, o dente de alho amassado e o gengibre em pó a gosto. Na hora de servir, regue a salada com o molho e salpique cebolinha picada a gosto. Sirva com um mix de folhas verdes para um jantar vegetariano numa noite especial.

O fato de usar o óleo de gergelim torrado para tostar a cevadinha no início da receita traz um nível de sabor ao prato indescritível. Por ser bastante impactante, recomendo que tenham muito cuidado ao utilizar o óleo. Um pequeno fio já é mais do que suficiente para trazer esse sabor diferente e inovador à receita.

Outro toque especial desta receita é justamente a leve tostada dada à cevadinha antes de cozinhá-la. Esse grão tem naturalmente um sabor com leves toque de nozes. Ao tostá-la, esse sabor é liberado e ajuda a elevar a complexidade do prato final. Recomendo degustar desta salada em temperatura ambiente depois que tenha esfriado um pouco do final do preparo.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Conforto e sabor caseiro

Para mim, uma noite fresquinha de outono é sinônimo de um bom filme, uma taça de vinho e um delicioso prato de sopa caseira. Seja sozinha ou acompanhada, adoro saborear um gostoso caldinho feito com amor e temperos criativos. E a melhor parte é que podemos abusar da imaginação para brincar com as mais diversas combinações de ingredientes.

Mas, sempre que possível, procuro novas receitas para nunca correr o risco de cair na mesmice. Minha casa já virou praticamente uma biblioteca de livros de culinária dos mais diversos assuntos e cantos do mundo. Para hoje, escolhi uma sopa de um livro que conta os benefícios de incluir grãos integrais variados na alimentação. E o mais importante, ficou uma delícia.

Sopa de abobrinha, cevadinha e shitake

Sopa de cevadinha, abobrinha e shitake

45 g de cevadinha crua
1/2 cebola
1 dente de alho
500 ml de caldo de vegetais
1 folha de louro
150 g de shitake fresco
200 g de abobrinha
azeite, tomilho, sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
Aqueça uma panela antiaderente em fogo médio e regue com um fio de azeite. Refogue o alho e a cebola picados até ficarem macios e aromáticos. Acrescente a cevadinha e refogue de 30 segundos a 1 minuto. Despeje o caldo de vegetais e coloque a folha de louro. Deixe ferver, abaixe o fogo e cozinhe mantendo uma leve fervura até que a cevadinha fique pronta (entre 40 e 50 minutos).
Retire a folha de louro e acrescente o shitake e a abobrinha cortados em tiras finas. Coloque alguns ramos de tomilho fresco a gosto. Cozinhe por mais 5 a 8 minutos até que os vegetais fiquem macios. Caso o caldo tenha evaporado todo, acrescente mais um pouco para que a sopa atinja a consistência desejada.
Tempere com sal e pimenta a gosto e saboreie acompanhado de uma bela salada verde.

Apesar do caldo ter evaporado quase todo enquanto cozinhava a cevadinha acabei colocando bem pouco depois para terminar de preparar a sopa. Isso porque eu prefiro que o caldo da receita fique um pouco mais grosso. No final acrescentei apenas mais meia xíc. de chá de água.

Como queria preparar um prato verdadeiramente vegetarianos optei por usar caldo de vegetais na hora do preparo da sopa. Entretanto, se você preferir pode usar caldo de carne ou de galinha na hora de cozinhar a cevadinha. Outra opção é incluir alguns pedaços de carne à receita. A combinação fica deliciosa.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Variações deliciosamente criativas

Amo risoto. Um belo prato cremoso de arroz especial com ingredientes deliciosos. Tem coisa melhor? Mas também adoro encontrar variações criativas para pratos tradicionais. É incrível como existem pessoas que conseguem criar receitas sensacionais com pequenas alterações às clássicas. Fico impressionada com tamanha esperteza.

Foi o caso desta receita que achei e me senti na obrigação de testar. Parecia tão divinamente maravilhosa que o poder dela sobre mim foi incontrolável. E não estava errada. O resultado ficou tão fantástico que já entrou para minha lista de receitas espetaculares. Prove e comprove, é de matar de tão perfeita.

Risoto de cevadinha com shitake e aspargo

Risoto de cevadinha com shitake e aspargo

45 g de cevadinha crua
100 g de shitake fresco
150 g de aspargo fresco
1/2 cebola média
1 dente de alho
30 ml de vinho branco seco
500 ml de caldo de vegetais
10 g de parmesão light
sal, pimenta e azeite a gosto

Modo de preparo:
Aqueça uma panela funda antiaderente em fogo médio e regue com um fio de azeite. Refogue a cebola e o alho picados até amaciarem e soltarem o aroma. Acrescente a cevadinha e refogue por 30 segundos mexendo sempre para fritar levemente. Junte o vinho branco e cozinhe até o líquido evaporar.
Despeje 1/2 xíc. do caldo de vegetais e deixe ferver. Mantenha uma leve fervura em fogo médio-baixo e cozinhe mexendo de vez em quando até o líquido evaporar quase todo. Acrescente mais 1/2 xíc. do caldo e repita o procedimento até a cevadinha cozinhar e começar a ficar macia. O processo deve demorar de 30 a 40 minutos.
Enquanto o risoto fica pronto, ferva 300 ml de água e cozinhe o aspargo de 2 a 3 minutos até ficar al dente. Escorra e deixe correr água fria para parar o cozimento. Reserve. Em outra panela, refogue o shitake cortado em fatias por alguns minutos até amaciarem levemente. Reserve.
Quando a cevadinha estiver pronta, deixe o líquido restante evaporar quase todo, junte o aspargo e o shitake e mexa bem. Desligue o fogo e acrescente o parmesão light ralado. Misture tudo para incorporar todos os ingredientes e ficar levemente cremoso. Sirva como prato principal ou de acompanhamento para uma carne grelhada.

A cevadinha é uma ótima alternativa para o arroz arbório tradicionalmente usado em risotos italianos já que cozinha praticamente da mesma forma. Entretanto, a vantagem de substituir o arroz pela cevadinha é que ela é um grão integral e ajuda a manter o bom funcionamento do organismo dentro de uma alimentação saudável.

Além de ser mais nutritiva que o arroz arbório, a cevadinha também possui um leve sabor com toques de nozes que traz ao risoto um outro nível de complexidade ao paladar. Fiquei encantada com esta receita e não tenho palavras para descrever o sabor absolutamente divino do resultado final. Foi amor à primeira garfada.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Molhos especiais

Preparar medalhões de filé mignon para o almoço pode parecer um prato simples demais ou até sem graça. Realmente, comer apenas um pedaço de carne sem nada para acompanhar, mesmo que seja um suculento filé mignon, tem seu lado simplório demais.

Mas aqui entra a individualidade e criatividade essencial de todo cozinheiro. Um belo molho faz toda a diferença na hora de saborear um medalhão desta carne, uma das mais saudáveis que há para comer. O importante para manter o prato saudável é escolher um molho saboroso mas não muito cremoso como este que descobri esses dias.

Filé mignon ao molho de shitake

Filé mignon ao molho de shitake

1 medalhão de filé mignon médio
100 g de shitake fresco
1 dente de alho picado
3 col. de sopa de cebola picada
60 ml de caldo de carne
20 ml de vinho branco seco
5 ml de vinagre balsâmico
1 col. de sopa de cebolinha picada
sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
Tempere o filé com sal e pimenta a gosto. Leve para assar em forno médio (180˚C) pré-aquecido por 20 minutos ou até atingir o ponto desejado. Reserve.
Para preparar o molho, aqueça uma frigideira antiaderente em fogo médio e refogue a cebola e o alho picados por 2 ou 3 minutos até começarem a ficar macios. Acrescente o shitake fatiado e continue refogando por mais alguns minutos até o cogumelo murchar um pouco.
Despeje o caldo de carne, o vinho branco e o vinagre balsâmico e cozinhe mexendo de vez em quando até reduzir e engrossar levemente (aproximadamente 5 minutos). Adicione a cebolinha picada, mexa mais um pouco e desligue o fogo. Regue a carne com o molho e sirva acompanhado de arroz selvagem e legumes cozidos.

Apesar de não usar amido ou farinha, o molho consegue engrossar bem ao cozinhar por alguns minutos devido ao vinagre balsâmico que tem um toque adocicado. Isso sem falar na combinação do vinagre com o vinho e o sabor fresco do shitake que tornam este molho absolutamente divino.

A quantidade indicada na receita rende bastante molho e chega a ser suficiente para duas pessoas. Entretanto, preparei desta mesma forma apenas para mim e estava tão gostoso que comi tudo. Já tinha feito outros molhos parecidos à base de cogumelos frescos, mas este conseguiu subir para o topo da lista pela fantástica combinação de sabores. Ficou simplesmente sensacional.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Misturas práticas

De volta à rotina, segunda-feira é dia de preparar algo mais leve para compensar a comilança do final de semana. Neste caso, o estrago com certeza foi ainda maior já que ontem era o dia internacional de se atracar no chocolate. Espero que tenham se contido um pouco, né? Até porque mesmo coisas boas em quantidades absurdas nunca fazem bem para nossa saúde.

E já que os últimos três dias também com certeza foram intensos na cozinha, que tal preparar algo simples e que suje pouca coisa para lavar depois? Refeições de um prato só são uma ótima pedida para estes casos e esta em especial ficou tão saborosa que tenho certeza todos vão aprovar na primeira garfada.

Cubos de frango ao misso com arroz preto

Cubos de frango ao misso com arroz preto

1 peito de frango médio
1 col. de sopa de misso (pasta de soja)
1 dente de alho
1 col. de sobremesa de gengibre em pó
1/2 cebola pequena picada
1 col. de chá de molho de peixe tailandês
3 col. de sopa cheias de arroz preto já pronto
100 g de shitake fresco fatiado
1 col. de sopa de cebolinha picada
100 g de espinafre fatiado
2 claras
salsinha e shoyu a gosto

Modo de preparo:
Numa tigela, misture o misso com o dente de alho amassado e o gengibre em pó. Passe toda a mistura em volta do frango para que fique bem coberto. Enrole o peito de frango com papel filme com força até ficar bem fechado e apertado. Cozinhe numa panela à vapor durante 20 minutos certificando-se de que a água na parte de baixo não esteja tocando a panela de cima. Reserve o frango e o molho que se formou dentro do plástico.
Aqueça uma panela wok e despeje o molho de peixe, a cebola, o espinafre e o shitake. Mexa até começar a murchar. Junte o frango cozido cortado em pedaços e o molho reservado que se formou dentro do papel filme do cozimento do frango. Mexa até ficar quase pronto. Por fim junte o arroz já cozido, a cebolinha, as 2 claras e o shoyu a gosto. Mexa até que as claras estejam cozidas. Salpique salsinha a gosto e sirva a seguir.

Na receita original a sugestão era fazer com arroz integral tradicional. Entretanto, como já tinha arroz preto feito em casa resolvi usar os restos para não ter que me preocupar em fazer mais isso para o almoço. Da mesma forma, você pode aproveitar o arroz que tiver pronto em casa que sobrou do almoço de ontem. Facilita bastante a vida.

Caso queira preparar algum arroz novo para fazer esta receita, o integral é mesmo a melhor opção. No meu caso, como utilizei o arroz preto ele acabou manchando todo o prato com sua cor característica. O sabor ficou delicioso, mas confesso que a aparência meio “suja” pode ter deixado o prato menos apetitoso. Mas é apenas impressão, viu? Garanto que no fim ficou uma delícia!

Por hoje é só.

Bon appetit!

Descanço entre farturas

Depois de comer tanto peixe nos últimos dias é hora de variar um pouco o cardápio e saborear coisas novas. Além disso, com certeza o almoço ontem foi farto e o de amanhã será mais ainda (afinal, páscoa = chocolate, certo?). Pensando nisso, minha sugestão para hoje é algo mais leve e simples, sem deixar de ser uma delícia.

Feriados sempre implicam maior trabalho na cozinha já que tudo fecha e tradicionalmente as famílias aproveitam para passar o tempo junto. Por isso, nada melhor do que uma receita fácil e prática para preparar hoje. Vamos deixar o trabalho dos pratos mais elaborados para o grande almoço de páscoa, combinado?

Panqueca integral de peito de peru com shitake e espinafre

Panqueca integral de peito de peru com shitake e espinafre

2 unidades de panqueca integral pré-pronta
4 fatias de peito de peru light
150 g de espinafre
100 g de shitake fresco
3 col. de sopa de molho de tomate
30 g de muçarela light ralada

Modo de preparo:
Pique o espinafre e o shitake em pedaços pequenos e refogue numa panela antiaderente com alguns pingos de água. Mexa bem até murchar (aproximadamente 3 minutos). Escorra o excesso de água que sair dos vegetais e reserve.
Abra as panquecas num prato para ajudar na montagem. Coloque duas fatias de peito de peru e por cima despeje metade da mistura de espinafre com shitake. Enrole e coloque com o feixe para baixo numa forma refratária antiaderente. Repita com a segunda panqueca.
Despeje o molho de tomate por cima das panquecas e salpique com a muçarela ralada. Leve para assar em forno médio (200˚C) por 10 minutos ou até o queijo derreter. Sirva com salada verde.

Seguindo a mesma linha da outra receita de panqueca que publiquei algumas semanas atrás, esta receita mostra como é possível, com um pouco de imaginação, criar diversos sabores deliciosos para aproveitar a praticidade desta massa pré-pronta. Alias, podemos inclusive preparar vários sabores de uma vez só e aproveitar a variedade para provar um de cada.

Gosto de receitas fáceis e rápidas de fazer para noites corridas durante a semana. Mas um dia como hoje no meio de dois que já são tradicionalmente recheados de muita comida gostosa, nada melhor do que algo mais leve para segurar as pontas e não deixar que tudo vá por água abaixo.

Por hoje é só.

Bon appetit!