Descobrindo novas delícias

No começo, quando ia a restaurantes tailandeses eu sempre comia a mesma coisa: ou me deliciava com o tradicional Pad Thai (prato típico de macarrão com um molho agridoce delicioso) ou ficava no frango em cubos com castanha de caju (cuja receita publiquei aqui). Mas desta vez, quando estava de férias nos Estados Unidos e almocei no meu restaurante tailandês preferido por lá resolvi me aventurar um pouco.

A surpresa foi fantástica. Descobri sopas maravilhosas que antes pensava terem combinações um pouco estranhas de ingredientes. A melhor parte é que estas sopas funcionam tão bem como entrada, acompanhamento ou prato principal, basta adequar o tamanho da porção à refeição indicada.

Sopa tailandesa de macarrão transparente

Sopa tailandesa de macarrão transparente

300 ml de água
15 g de shitake seco
1/2 pepino médio
1 dente de alho
40 g de harussame (macarrão transparente)
1 col. de sopa de shoyu light
1 col. de sobremesa de açúcar mascavo
100 g de repolho em fatias finas
150 g de tofu firme
coentro picado a gosto

Modo de preparo:
Deixe o shitake seco de molho em água quente (mas não fervendo) por pelo menos 30 minutos para hidratar. Enquanto isso, coloque o pepino cortado, o alho e o repolho fatiado num multiprocessador. Bata até formar uma mistura homogênea e quase lisa.
Despeje a mistura numa panela e acrescente os 300 ml de água fervendo. Cozinhe com uma leve fervura em fogo médio por 2 ou 3 minutos. Coe o líquido para outra panela e descarte os restos que sobrarem.
Levante mais uma vez uma leve fervura e adicione o shitake hidratado com metade do líquido no qual estava. Acrescente o harussame e o açúcar mascavo dissolvido no shoyu light. Deixe cozinhar por 5 minutos até o macarrão amolecer.
Prove o sal e se for preciso tempere com mais um pouco de shoyu. Corte o tofu em cubos médios e coloque numa tigela. Por cima, derrame o conteúdo da sopa e decore com folhas de coentro picadas a gosto. Sirva acompanhado de torradinhas integrais.

A primeira vista a sopa pode não parecer lá muito apetitosa, mas a combinação do pepino com o repolho como base do caldo acrescentados ao shitake tornaram o sabor mais interessante. Uma das vantagens desta sopa, alias, é justamente a suavidade de todos os sabores que, quando misturados, não perdem suas características individuais.

Se você não for muito fã de tofu, vale preparar este prato usando também pedaços pequenos de peixe cozido (como filé de tilápia ou linguado) ou até mesmo cubinhos de peito de frango. Entretanto, a suavidade do tofu faz com que o sabor da sopa não seja sobrecarregado de temperos forte demais. Para mim, a melhor parte continua sendo o gostinho único do harussame. Desde que descobri este macarrão transparente tipicamente oriental me apaixonei.

Por hoje é só.

Bon appetit!

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Quando o esforço vale a pena

Para os céticos de plantão cozinhar sem gordura na busca por uma alimentação saudável pode significar fazer refeições sem gosto. Realmente um dos motes defendidos por chefs pelo mundo afora é que gordura é igual a sabor dentro de uma preparação.

Entretanto, há inúmeras maneiras de deixar um prato delicioso e cheio de sabor sem precisar acrescentar gorduras que, na maioria das vezes, acabam sendo prejudiciais à saúde. Uma delas é bem simples, por mais que seja um pouco demorada. O segredo é deixar carnes, peixes ou frangos marinando em temperos por algumas horas. Assim adquirem um gostinho fantástico sem prejudicar a alimentação saudável.

Cha shao (filé ao barbecue oriental)

Cha shao (filé ao barbecue oriental)

1 pedaço médio de filé magro (patinho, alcatra, filé mignon)
1 col. de sobremesa de mel
45 ml de vinagre de arroz

marinada
150 ml de shoyu light
90 ml de vinagre de arroz
150 ml de caldo de carne
1 col. de sopa de açúcar mascavo
1/4 de cebola picada
1 cm de gengibre fresco ralado

Modo de preparo:
Numa panela, junte os ingredientes da marinada e misture bem em fogo médio até começar a ferver para que o açúcar dissolva completamente. Abaixe o fogo e deixe cozinhar em fogo baixo mantendo uma leve fervura por aproximadamente 15 minutos. Após esse tempo, desligue o fogo e deixe esfriar completamente.
Corte o filé em pedaços médios e arrume numa forma refratária de forma que nenhum pedaço fique por cima do outro. Despeje a marinada completamente fria dentro da forma refratária e leve à geladeira. Deixe marinando de 4 à 6 horas.
Para assar a carne, pré-aqueça o forno em 200˚C. Retire os pedaços do filé da marinada e coloque em outra forma refratária anti-aderente. Leve para assar por 10 minutos. Nesse meio tempo, acrescente o mel e o resto do vinagre de arroz à marinada e mexa bem para ficar homogêneo. Retire a carne do forno e despeje metade da marinada por cima. Devolva a carne ao forno e asse por mais 5 ou 6 minutos até ficar pronto. Sirva em seguida.

Não vou mentir, este prato requer um pouco de paciência e tempo. Mas o resultado final vale todo o esforço. Impossível descrever a delícia que ficou o gostinho desta carne. Suave e docinho, o açúcar e o mel por estarem em quantidades pequenas não tornaram o molho adocicado demais. Uma vantagem em relação a outros barbecues que, para mim, têm a tendência de serem doce demais.

Prato tradicional da Malásia e Singapura, ele geralmente é feito com carne de porco. Entretanto, preferi substituir por um filé mais magro buscando justamente ter uma menor quantidade de gordura saturada. Dito isso, hoje já é possível encontrar cortes de carne de porco com pouquíssima gordura. Se preferir, opte por preparar a receita da maneira original. Tenho certeza que ficará uma delícia.

Por hoje é só.

Bon appetit!