Descobrindo as semelhanças no diferente

Para os desatentos não há nada mais diferente do que um cardápio inspirado na culinária grega e outro na culinária vietnamita. Quando visto de relance realmente podemos dizer que os ingredientes e a maneira de preparo dos pratos são completamente diferentes.

Mas se observarmos com atenção podemos ver que na verdade os pratos são bem parecidos, ou pelo menos equivalentes. E é isso que me encanta quanto mais eu aprendo sobre a gastronomia mundial. Por mais opostos que dois pratos possam parecer, eles irão conter ingredientes relativamente homônimos. O toque final é que dá ao prato a inspiração de cada país diferente.

Salada de harussame vietnamita

Salada de harussame vietnamita

70 g de harussame (macarrão transparente)
120 g de melão verde
85 g de filé magro
1/2 de pepino médio
1 col. de sopa de coentro
1 col. de sopa de hortelã
1 talo de capim limão
suco de 2 limões
1 col. de sopa de molho de peixe tailandês
1 cm de gengibre fresco ralado
1 col. de chá de pimenta calabresa moída
1 col. de chá de açúcar mascavo

Modo de preparo:
Numa tigela, junte o molho de peixe, o suco dos limões, o gengibre ralado, o coentro, a hortelã e o capim limão picados e a pimenta calabresa. Acrescente o açúcar mascavo e mexa bem para dissolver completamente. Reserve.
Tempere o filé com sal e pimenta-do-reino a gosto e corte em pedaços pequenos. Aqueça uma grelha em temperatura média e grelhe o filé de 5 a 7 minutos até ficar pronto. Reserve.
Para preparar o macarrão, ferva 1 litro de água. Acrescente o harussame e deixe cozinhar por 7 minutos. Quando estiver pronto, coe e deixe escorrer água fria por cima do macarrão transparente. Isso ajuda a ele ficar na consistência perfeita. Reserve.
Por fim, corte o melão e o pepino em tiras fininhas. Para preparar o prato, arrume as tirinhas num prato. Arrume os pedaços de carne e o harussame por cima. Regue com o molho reservado e sirva frio.

Num primeiro momento não há nada mais diferente do que esta salada e a outra salada de macarrão grega que compartilhei alguns dias atrás. Entretanto, olhando com cuidado vemos que as duas contêm ingredientes equivalentes. Ambas tem uma fonte de carboidrato (os macarrões, mesmo diferentes, exercem a mesma função), ambas incluem uma fonte de proteína (sendo numa delas a carne e na outra o grão de bico) e ambas incluem vegetais.

Por mais que estes ingredientes já sejam um pouco diferentes, eles têm o mesmo efeito dentro dos pratos. A diferença, então, fica por conta dos molhos utilizados para temperar as saladas. E aí que está a característica típica de cada lugar, seja Grécia ou Vietnam.

Para mim esta é a melhor parte de aventurar-se pelas culinárias do mundo. Descobrir os temperos e toques diferentes de cada gastronomia e usá-los para criar pratos inspirados nesses países. Não há nada mais divertido.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Fugindo do tradicional

Para quem não curte muito comida feita com leite de coco a culinária tailandesa pode realmente parecer pouco apetitosa. Conhecida pelos seus pratos adocicados e picantes ao mesmo tempo e que geralmente são feitos à base de leite de coco, açúcar, temperos e especiarias, a comida da Tailândia é especializada nesses sabores.

Entretanto, para aqueles que torcem o nariz a essas delícias há uma outra receita clássica que pode parecer bem mais agradável. Suave e simples, lembra os sabores da culinária chinesa, temperos mais conhecidos do paladar brasileiro. A olho nu pode até parecer um frango xadrez genérico, mas este é inspirado em outro país do extremo oriente.

Frango com castanha à moda tailandesa

Frango com castanha à moda tailandesa

15 ml de shoyu light
30 ml de caldo de galinha
1 col. de sopa cheia de molho de ostra
1 col. de chá de vinagre de vinho branco
1 col. de sobremesa de mel
1 col. de chá de maizena
1 peito de frango cortado em cubos
1/2 pimentão verde pequeno
¼ de cebola
1 col. de chá de gengibre em pó
1 dente de alho
1 col. de sopa cheia de cebolinha picada
castanha de caju a gosto

Modo de preparo:
Numa tigela, misture metade do shoyu e da maizena. Corte o frango em cubos e junte à mistura. Mexa bem para o que o frango fique totalmente coberto. Reserve. Numa outra tigela, junte o resto do shoyu e da maizena com o caldo de galinha, o molho de ostra, o vinagre e o mel. Reserve. Corte o pimentão e a cebola em tirinhas e pique o alho. Salpique o gengibre em pó por cima. Reserve.
Aqueça uma panela wok em fogo médio. Acrescente o frango com a marinada e refogue por alguns minutos até começar a cozinhar. Reserve na tigela. Despeje os vegetais temperados com o gengibre à wok e refogue de 3 a 5 minutos até amaciarem. Retorne o frango à wok e adicione o molho reservado. Cozinhe mexendo sempre até o frango ficar pronto e o molho engrossar. Salpique a castanha por cima e sirva acompanhado de arroz integral.

Sou simplesmente apaixonada por este prato. O molho fica uma delícia e, apesar de ser docinho, não chega a arruinar completamente uma alimentação balanceada e saudável. Além disso, qualquer refeição preparada em casa tem a vantagem de conseguirmos controlar a quantidade de gordura e açúcar acrescentada o que a torna mais saudável.

O molho de ostra utilizado nesta receita é bem tradicional e muito utilizado em diversas preparações orientais. Ele não é muito comum aqui no Brasil mas também não chega a ser extremamente difícil de encontrar. Procure nas seções de comida asiática de um grande supermercado ou em lojas especializadas.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Vai um cineminha aí?

Tenho um segredo para contar para vocês. Pipoca está liberado! Explico. Não estou falando daquele balde enorme de pipoca gosmenta de tanta manteiga que insistem em oferecer nos cinema por aí afora. Cada um desses baldes é uma fábrica de gordura saturada e milhares de calorias desnecessárias e totalmente dispensáveis.

Mas uma pipoquinha caseira, feita na porção certa, sem manteiga e com uma quantidade de sal moderada pode ser altamente saudável. Isso porque o milho da pipoca é riquíssimo em fibras, fundamentais para a saúde e bom funcionamento do intestino. Então, da próxima vez que bater aquela vontade de ir no cinema comer um saquinho de pipoca, fique em casa, alugue um filme e se delicie com esta receita. Você ainda economiza um bocado.

Pipoca caseira

Pipoca caseira

2 col. de sopa de milho para pipoca
sal a gosto

Modo de preparo:
Despeje o milho numa panela grande antiaderente. (IMPORTANTE: ela necessariamente precisa ser antiaderente. Se não for, coloque também 1 col. de chá de óleo de canola para que a pipoca não grude no fundo e não queime.) Sob fogo alto, segure a panela junto com a tampa certificando-se de que não irá soltar.
Mexa de vez em quando para que o milho não queime. Espere começar a ouvir o estouro da pipoca e continue sacudindo. Quando a frequência dos estouros diminuírem, desligue o fogo e abra a tampa com cuidado. Salpique sal a gosto e sirva imediatamente.

A primeira vez que fiz foi emocionante. Confesso que estava com um pouco de medo e como demorou um pouco para começar a estourar cheguei a pensar que não ia dar certo. Quando o primeiro milho estourou quase chorei de emoção. Foi lindo demais.

Pipoca com uva passa

Adoro pipoca caseira por ela ser muito mais fresquinha do que as do cinema ou de microondas. Isso sem contar que assim podemos controlar o tamanho da porção para não correr o risco de comer demais. (Aqueles sacos de microondas na verdade são enormes e servem muito mais do que uma pessoa, o problema é conseguir parar na hora certa.) E se você é que nem eu que adora misturar doce com salgado, sugiro acrescentar 2 col. de sopa de uvas passas. Fica uma delícia e assim evitamos recorrer ao chocolate.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Saúde deliciosa

Saladas são ótimas para qualquer ocasião. Seja como entrada do almoço ou refeição completa no jantar, quando bem preparadas, elas conseguem juntar vitaminas, mineiras, fibras, proteínas e carboidratos tudo num só prato. Isso sem contar que contribuem para mantermos uma alimentação sempre saudável.

Com um pouco de imaginação conseguimos elaborar saladas super saborosas e diferentes. Na receita de hoje usei um ingrediente especial: iogurte natural ao estilo grego. Nova onda que está pegando em alguns países, este iogurte é mais concentrado do que o normal e tem uma consistência mais grossa e cremosa (parecida com a de coalhada).

Como ainda não encontrei iogurte grego para vender aqui no Brasil (quando estive nos Estados Unidos vi que já virou moda geral por lá), uso um truque super simples. É só passar iogurte natural desnatado numa peneira. Apesar de ser extremamente fácil, o processo demora um pouquinho. Por isso, o bom é preparar com alguma antecedência.

Salada de macarrão grega

Salada de macarrão grega

82 g de grão de bico cozido
40 g de penne integral
1 pote de iogurte natural desnatado ao estilo grego
suco de 1/2 limão siciliano
1 col. de sobremesa de azeite
1 col. de chá de orégano
1/2 pepino médio
6 tomates cereja
1 col. de sopa de azeitonas pretas fatiadas
sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo:
Para preparar o iogurte no estilo grego, pegue uma peneira pequena e cubra com um filtro de coar café. Despeje o iogurte dentro do coador e deixe escorrer a água que soltar dentro de um copo. Cubra com papel filme e deixe na geladeira de 4 à 6 horas. Quanto mais tempo ficar escorrendo, mas cremoso e concentrado ficará.
Cozinhe o macarrão de acordo com as instruções da embalagem. Coe e deixe esfriar completamente. Reserve.
Numa tigela, misture o iogurte concentrado, o azeite, o suco do limão, e o orégano. Prove o sal e corrija a gosto. Corte os tomates ao meio e o pepino em pedaços pequenos. Em outra tigela, junte os tomates, o pepino, as azeitonas, o macarrão cozido em temperatura ambiente e o grão de bico. Acrescente o molho e mexa delicadamente até que a salada fique totalmente coberta. Salpique pimenta-do-reino a gosto e sirva fria acompanhada de folhas verdes e torradinhas integrais.

Adoro saladas completas como esta. O mais prático é que como ela é fria posso prepará-la com antecedência e deixá-la na geladeira para levar e comer no trabalho ou na faculdade.

Quando descobri esta maneira de preparar iogurte grego me encantei. Como ele é mais consistente e cremoso serve perfeitamente para substituir maionese ou creme de leite em praticamente qualquer receita. Isso sem contar que saboreá-lo puro ou com frutas, mel e granola como lanche ou café da manhã também fica uma delícia. Simplesmente amei conhecer mais esta novidade.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Dando aquela ajudazinha

As vezes lemos coisas contraditórias sobre como manter uma alimentação saudável. Já virou unanimidade o conceito de que é interessante reduzir a quantidade de carne vermelha que ingerimos e optarmos, sempre que possível, por carnes brancas como frango ou peixe. Isso porque os níveis de gordura saturada nas carnes brancas é menor, evitando o acúmulo delas nas artérias.

Até aí tudo bem. O problema é o risco que corremos de essa mudança gerar deficiências de nutrientes importantes como o ferro. Imprescindível para o transporte do oxigênio no sangue, o ferro tem como sua principal fonte justamente as carnes vermelhas.

Mas também não adianta apenas comer um filé dia sim dia não. Isso porque para ser melhor absorvido pelo organismo, o ferro requer uma boa dose de vitamina C, presente em grande quantidade nas frutas cítricas. A receita de hoje é uma combinação perfeita desses dois nutrientes. Com isso temos a certeza de que, mesmo nas poucas vezes em que comemos carne vermelha, o tão importante ferro será bem absorvido pelo corpo.

Carne à moda oriental com molho de laranja

Carne à moda oriental ao molho de laranja

1 filé magro pequeno (alcatra, patinho, filé mignon)
1 laranja
30 ml de suco de laranja
1 col. de chá de amido de milho
1 col. de sobremesa de shoyu light
50 g de cebolinha
50 g de aspargos frescos
1 col. de chá de pimenta calabresa
1/4 de cebola

Modo de preparo:
Corte a carne, a cebola, a cebolinha e os aspargos em tiras finas. Reserve. Numa tigela, misture o suco de laranja, o amido de milho e o shoyu. Reserve. Descasque a laranja e reserve 3 ou 4 tiras da casca (apenas a parte laranja). Corte a laranja em gomos e reserve.
Aqueça uma wok (ou frigideira grande) antiaderente. Refogue a carne com alguns pingos de água mexendo sempre até começar a cozinhar (aproximadamente 5 minutos). Reserve. Acrescente à wok a cebola, a cebolinha, os aspargos e as tiras da casca de laranja. Refogue por alguns minutos e adicione o molho reservado. Mexa bem por 1 minuto até começar a engrossar.
Devolva a carne à wok e misture aos vegetais. Mexa bem para terminar de cozinhar a carne e incorporar ao molho. Sirva com os gomos da laranja e a pimenta calabresa salpicada por cima a gosto.

Além de auxiliar na absorção do ferro, juntar frutas com carnes sempre traz uma mistura deliciosa de sabores ao prato. O toque azedinho do molho, cortesia da casca de laranja, fica uma delícia quando combinado com a cebolinha e os aspargos.

A técnica tradicionalmente oriental de usar a wok para este tipo de preparação facilita muito a vida na hora de fazer o almoço. A dica é deixar tudo pré arrumado já que a praticidade do preparo exige agilidade e rapidez. Se você quiser dar um toque agridoce ao molho, acrescente 1/2 col. de sobremesa de açúcar mascavo à mistura antes de colocá-la na wok. Fica divino.

Por hoje é só.

Bon appetit!

A arte de se apaixonar pela gastronomia

Quem disse que salada não pode ser deliciosa, divertida e diferente? Já não é segredo para ninguém que lê meu blog que desde que conheci a culinária japonesa me apaixonei completamente. Além de super saborosa, reúne uma mistura altamente saudável de nutrientes essenciais para nosso corpo.

E foi numa dessas minhas aventuras por temakerias de São Paulo que conheci outro prato apaixonante: salada de pepino agridoce. Sempre soube que não deveria ser muito difícil preparar esta entradinha deliciosa, mas até agora não tinha embarcado nesse desafio. Até que consegui uma receita extremamente simples e rápida. Agora faço praticamente dia sim dia não para comer com meu almoço. Vai dizer, viciei geral, né?

Salada de pepino japonês

Salada de pepino japonês

1/2 pepino médio
60 ml de vinagre de arroz
1/4 de col. de chá de sal
1 col. de chá de açúcar
1 col. de sopa cheia de semente de gergelim torrado (opcional)

Modo de preparo:
Corte a casca do pepino alternando uma tira sim outra não de modo que fique apenas meio descascado. Com a ajuda de um fatiador, corte o pepino em fatias bem finas (quase transparentes). Numa tigela, misture bem o vinagre de arroz com o sal e o açúcar. Mexa bem para dissolver completamente. Acrescente as fatias de pepino à conserva e salpique o gergelim por cima. Leve à geladeira por 30 minutos antes de servir.

O gostinho agridoce desta salada é incomparável. A simplicidade dela também a torna perfeita para acompanhar praticamente qualquer refeição. O melhor é que não precisa ser necessariamente um almoço de comida oriental. Dia desses preparei esta salada para acompanhar um peito de frango grelhado com legumes. Ficou uma delícia.

Caso você ache a salada simples demais, existem algumas variedades interessantes para experimentar. Uma opção fácil é acrescentar 30 g de macarrão transparente (harussame). Outra dica inclui colocar sticks de kani ou cubinhos de tofu. Ambos são ótimas fontes de proteína e incorporam sabores deliciosos à salada.

Por hoje é só.

Bon appetit!

Seguindo as tendências no mundo da gastronomia

Quem acompanha as tendências no mundo gastronômico já deve ter percebido que a nova comida da moda é a peruana. Por algum motivo que, confesso desconheço, a culinária deste país tão tradicional caiu nas graças de chefs e connaisseiurs mundo afora.

O prato mais típico (e mais conhecido) é o ceviche. Pegando carona na moda de degustar dos peixes crus, já associada à culinária japonesa, o ceviche é uma versão tropical e latinoamericana desta tendência. A diferença é que o peixe no ceviche não fica completamente cru já que é “cozido” em suco de limão durante horas. Além do efeito óbvio de cozinhar o peixe, o ácido do limão traz um tempero absolutamente delicioso ao peixe. Vale a pena experimentar.

Pseudo-ceviche

Pseudo-ceviche

1 filé de tilápia (120 g)
100 g tomate cereja
100 g pimentão verde
suco de 3 limões
1/4 de cebola
4 azeitonas pretas picadas
2 col. de sopa de coentro
1 col. de chá de orégano
1/2 col. de chá de molho de pimenta malagueta
sal

Modo de preparo:
Coloque o filé de tilápia numa frigideira antiaderente e cubra com água. Deixe ferver, tampe e desligue o fogo. Deixe “cozinhar” durante 5 minutos.
Enquanto isso, corte os tomates em quatro, os pimentões em pedaços quadrados e a cebola em fatias finas. Junte com as azeitonas e o suco dos limões numa tigela. Transfira o filé de tilápia para a tigela e misture delicadamente aos demais ingredientes. O peixe deve quebrar em pedaços.
Tempere com coentro, orégano, molho de pimenta e sal a gosto. Cubra e leve à geladeira por pelo menos 30 minutos antes de servir. Coma gelado com torradinhas integrais.

Esta receita é chamada de “pseudo-ceviche” porque a tilápia é pré-cozida em água fervente por alguns minutos. Entretanto, como o processo de cozimento não é completo, o suco do limão acaba continuando o processo como num ceviche tradicional.

Mesmo não sendo totalmente cru, o peixe deste pseudo-ceviche fica absolutamente delicioso. Todos os demais sabores estão presentes, como o limão, a cebola, o coentro e a pimenta. Alias, vale ressaltar que uma característica fundamental de qualquer ceviche é a pimenta. Se você não é muito fã pode colocar bem pouquinho (como eu), mas um toque apimentado tem que ter. Nem que seja só para dar um gostinho.

Por hoje é só.

Bon appetit!